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A polêmica do VAR

A sigla VAR, em inglês, significa Video Assistant Referre, que no Brasil é chamado de Árbitro de Vídeo. Esse sistema serve para auxiliar o árbitro de campo a detectar, por meio das imagens da TV, erros claros e óbvios em situações que poderiam modificar o resultado de uma partida. Quatro situações são previstas no protocolo de utilização do VAR: gol, pênalti, cartão vermelho direto e confusão de identidade dos jogadores. Nessas situações o VAR entra em ação através de uma conversa entre o árbitro central e o árbitro de vídeo pelo ponto eletrônico e pelo microfone. A decisão final é sempre do árbitro central, porém o VAR sugere que sejam feitas revisões, que podem ser acatadas ou não pelo árbitro principal. Este possui o recurso de consultar o monitor de TV à beira do gramado para dirimir dúvidas nas situações previstas no protocolo.

A tecnologia no futebol veio para ficar. O objetivo de sua utilização é diminuir as injustiças causadas pelos erros de arbitragem que ao longo dos anos causaram inúmeras polêmicas em vários jogos e muitas vezes esses erros, foram determinantes nas conquistas de títulos e classificações em diversos campeonatos. Se por um lado as injustiças podem ser reduzidas pelo VAR, a polêmica em torno da sua utilização parece que não terá fim. O tempo para se tomar uma decisão sobre um lance sujeito a revisão tem causado muitas discussões acerca do tema. Muitos árbitros de campo estão deixando de tomar algumas decisões claras para se apoiarem nas imagens, o que causa uma excessiva paralisação das partidas.

Vivemos uma grande mudança na forma de se acompanhar o futebol. As torcidas estão tendo que se adaptar a, de certa forma, conter suas emoções. O gol, momento máximo do futebol, é muitas vezes revisto durante minutos até que seja de fato confirmado ou anulado, caso haja alguma irregularidade. Particularmente entendo que as injustiças tendem, de fato, a diminuir, porém nunca vão acabar. Muitos lances são interpretativos e o que para alguns pode ter sido pênalti para outros pode ser uma jogada normal. Além disso, o jogo está se tornando mais “frio”, a excessiva demora na tomada da decisão tem tornado as partidas menos emocionantes. O torcedor muitas vezes não sabe se comemora com todo entusiasmo ou se espera e comemora depois da confirmação. Essa expectativa tira a emoção espontânea, imponderável e imprevisível que o futebol sempre causou. Se fizermos um balanço dos erros e acertos a favor e contra nossos times ao longo da história veremos que deixamos de desfrutar de grandes conquistas por erros de arbitragem, porém vivemos tantas outras em função do mesmo motivo. Vocês trocariam as emoções vividas pela verdadeira justiça no futebol? Será que a justiça vai matar a emoção? O que o amigo leitor prefere? Vale a reflexão.

A polêmica será eterna, mas o caminho é sem volta. Que nos adaptemos o mais rápido possível a essa nova realidade.

Foto: Fernando Torres / CBF/ Divulgação

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