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Atenção, curva acentuada! Ou será sem acento? A bela e traiçoeira língua portuguesa

Em um momento ou outro, alguns de nós já ouvimos um famoso trecho daquela poesia de Olavo Bilac na qual ele fala que a língua portuguesa é “A última flor do lácio, inculta e bela”. Como é mesmo o nome deste poema? Ah, sim… “Língua Portuguesa”! Bom… Voltando ao assunto, o Poeta chama nossa língua de última flor do lácio porque o português é a última das línguas a surgir do latim vulgar, como aconteceu com o Francês, o Italiano e outras. Lacio é a região da Itália onde Roma foi fundada e dali, a partir de uma determinada época, há uns 2 mil e muitos anos atrás, construiu um império onde hoje fica o que chamamos de Europa.

No século XI, após ter tido sua origem na região norte de Portugal, chamada então de Galícia, se consolida a língua portuguesa, que se espalha pelo mundo a partir das grandes navegações promovidas pelo pequeno reino de Portugal, já no século XV.
Hoje, com nove países tendo a “última flor do lácio” como língua oficial – Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe – mais de 280 milhões de pessoas pelo mundo são falantes do português, sendo esta a 5ª língua mais falada no mundo.

A grandiosidade da nossa língua, com palavras como “saudade”, que não tem tradução em nenhuma outra, não impede os pequenos tropeços do dia a dia. Nossa “Última flor do lácio, inculta e bela” guarda algumas armadilhas que todo dia temos que contornar em redações, bilhetes, artigos, documentos e tudo no qual a usamos. Sorte que dá para fazer graça disso, como acontece nesse texto delicioso que vamos ler aqui, hoje, agora, no Nosso Bairro!

Português não é para amador.

Um poeta escreveu:
“Entre doidos e doídos, prefiro não acentuar”.
Às vezes, não acentuar parece mesmo a solução.
Eu, por exemplo, prefiro a carne ao carnê.
Assim como, obviamente, prefiro o coco ao cocô.
No entanto, nem sempre a ausência do acento é favorável…
Pense no cágado, por exemplo, o ser vivo mais afetado quando alguém pensa que o acento é mera decoração.
E há outros casos, claro!
Eu não me medico, eu vou ao médico.
Quem baba não é a babá.
Você precisa ir à secretaria para falar com a secretária.
Será que a romã é de Roma?
Seus pais vêm do mesmo país?
A diferença na palavra é um acento; assento não tem acento.
Assento é embaixo, acento é em cima.
Embaixo é junto e em cima separado.
Seria maio o mês mais apropriado para colocar um maiô?
Quem sabe mais entre a sábia e o sabiá?
O que tem a pele do Pelé?
O que há em comum entre o camelo e o camelô?
O que será que a fábrica fabrica?
E tudo que se musica vira música?
Será melhor lidar com as adversidades da conjunção “mas” ou com as más pessoas?
Será que tudo que eu valido se torna válido?
E entre o amem e o amém, que tal os dois?
Na sexta comprei uma cesta logo após a sesta.
É a primeira vez que tu não o vês.
Vão tachar de ladrão se taxar muito alto a taxa da tacha.
Asso um cervo na panela de aço que será servido pelo servo.
Vão cassar o direito de casar de dois pais no meu país.
Por tanto nevoeiro, portanto, a cerração impediu a serração.
Para começar o concerto tiveram que fazer um conserto.
Ao empossar, permitiu-se à esposa empoçar o palanque de lágrimas.
Uma mulher vivida é sempre mais vívida, profetiza a profetisa.
Calça, você bota; bota, você calça.
Oxítona é proparoxítona.
Na dúvida, com um pouquinho de contexto, garanto que o público entenda aquilo que publico.
E paro por aqui, pois esta lista já está longa.
Realmente, português não é para amador!

Se você foi capaz de ENTENDER TUDO, parabéns!! Seu português está muito bom!

Autor desconhecido

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